Na última quarta-feira (21 de maio), a Câmara dos Deputados aprovou, com ampla maioria, o projeto que promove o reajuste para servidores públicos federais, garantindo um aumento significativo para diversas categorias.
Apesar da aprovação, algumas questões relacionadas à reestruturação de carreiras ficaram para serem analisadas por um grupo de trabalho focado na reforma administrativa.
Com a proposta agora encaminhada ao Senado, os servidores acompanham os próximos passos para entender o impacto do reajuste, o valor estabelecido e o prazo para a implementação.
Neste artigo, apresentamos os principais detalhes dessa medida que impacta diretamente os salários dos servidores públicos.
É servidor federal? Leia com atenção para entender o valor do reajuste e quando ele começa a valer na prática!
Câmara aprova reajuste de salário para servidores públicos
Na noite de quarta-feira (21), a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que prevê o reajuste salarial para diversas categorias dos servidores públicos federais, com 388 votos favoráveis e 43 contrários.
Devido à falta de consenso, o texto foi dividido, ficando parte da reestruturação de carreiras para um grupo de trabalho responsável por discutir a reforma administrativa. Agora, a proposta segue para análise do Senado.
- O impacto financeiro do reajuste está estimado em R$ 17,9 bilhões para 2025 e R$ 8,5 bilhões para 2026.
O aumento contempla categorias que fecharam acordos no ano passado, enquanto para aquelas sem negociação, o reajuste será de 9% em cada um dos dois anos (2025 e 2026).
O pagamento do reajuste teve início em maio, retroativo a janeiro, após atraso na aprovação do Orçamento deste ano. O Congresso está em prazo apertado, já que a medida provisória que originou o projeto perde a validade no dia 2 de junho.
A Medida Provisória 1286/24, publicada no fim de 2024, continha os reajustes e a reestruturação das carreiras no serviço público.
Em abril, para agilizar a tramitação, o texto foi convertido em projeto de lei em regime de urgência, devido a divergências entre Câmara e Senado na análise das medidas provisórias.
Reajuste para servidores públicos: o que significa?
O reajuste para servidores públicos representa a atualização dos salários pagos a trabalhadores que atuam em órgãos federais, com o objetivo de corrigir perdas acumuladas pela inflação e garantir maior equilíbrio na remuneração.
O aumento impacta diferentes categorias, considerando acordos específicos para algumas delas, enquanto outras recebem uma porcentagem padrão.
Além de valorizar o trabalho desses profissionais, o reajuste contribui para adequar os vencimentos às condições econômicas atuais, refletindo também na motivação e no desempenho dos servidores.
A medida influencia diretamente o orçamento público, exigindo planejamento cuidadoso para equilibrar as despesas do governo.
Ao ser implementado de forma escalonada, como previsto para 2025 e 2026, o reajuste busca oferecer previsibilidade tanto para os servidores quanto para a gestão pública, permitindo um ajuste gradual das finanças e evitando desequilíbrios imediatos nas contas governamentais.
Como funciona o reajuste para funcionários públicos?
O reajuste para funcionários públicos ocorre por meio de um processo legislativo que define os novos patamares salariais para diferentes categorias dentro do serviço público federal.
Inicialmente, o governo propõe os valores por meio de medidas provisórias ou projetos de lei, que são debatidos e votados no Congresso Nacional.
No caso recente, o reajuste foi aprovado pela Câmara dos Deputados após votação expressiva, contemplando aumentos diferenciados conforme acordos firmados com algumas categorias.
Para aqueles sem negociações específicas, o aumento previsto é uniforme, com percentuais fixados para os anos de 2025 e 2026.
A implantação do reajuste considera fatores como impactos orçamentários, que neste cenário chegam a bilhões de reais, e a necessidade de ajustes retroativos, devido a atrasos na aprovação orçamentária.
A execução financeira do aumento costuma ser feita em parcelas, garantindo que o governo mantenha o controle sobre as despesas públicas enquanto os servidores começam a receber os novos salários conforme o cronograma definido.
Além disso, parte das discussões sobre reestruturação de carreiras permanece em análise por grupos de trabalho especializados, o que significa que o reajuste salarial pode ser acompanhado de mudanças em planos de carreira e benefícios futuros.
Reajuste para servidores públicos: quem tem direito?
O aumento salarial aprovado na Câmara dos Deputados é direcionado exclusivamente aos servidores públicos federais. Isso significa que apenas os profissionais vinculados à esfera federal serão contemplados com os novos valores.
Esses servidores atuam em órgãos ligados ao Poder Executivo da União, como ministérios, autarquias e fundações públicas.
O Poder Executivo federal compreende todas as estruturas administrativas comandadas diretamente pelo governo federal, como Receita Federal, Polícia Federal, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ibama, entre outros.
Os profissionais em questão são regidos por regras e planos de carreira específicos e estão subordinados à legislação da União.
Já os servidores estaduais e municipais — ou seja, aqueles que atuam sob responsabilidade de governos estaduais e prefeituras — não estão incluídos nesse reajuste.
Os aumentos para essas categorias são definidos de forma independente, com base na legislação de cada estado ou município, e precisam ser aprovados pelas respectivas assembleias legislativas ou câmaras de vereadores.
Cargos que têm direito ao reajuste para servidores públicos
Entre os profissionais do serviço público federal que serão beneficiados pelo reajuste, estão:
- Auditores da Receita Federal
- Policiais federais e rodoviários federais
- Analistas e técnicos do INSS
- Servidores do Ibama e do ICMBio
- Funcionários de universidades e institutos federais
- Técnicos administrativos de ministérios e autarquias federais
- Servidores do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
Essas categorias, em sua maioria, estão vinculadas diretamente ao governo federal e compõem a base da administração pública da União.
Qual o valor do reajuste para servidores públicos 2025?
O projeto aprovado na Câmara estabelece diferentes percentuais de aumento conforme a categoria e o tipo de vínculo do servidor público federal.
A medida prevê um impacto de R$ 17,9 bilhões no orçamento de 2025 e R$ 8,5 bilhões no ano seguinte, contemplando acordos firmados com diversas categorias ainda em 2023.
Para os servidores que não tiveram negociação específica ou acordo anterior, o texto define um reajuste linear de 9% em 2025, seguido por mais 9% em 2026.
Já para os ocupantes de cargos comissionados e funções de confiança, o aumento será escalonado, variando entre 9% e 30%, dependendo do nível hierárquico, também distribuído em duas parcelas ao longo de 2025 e 2026.
As gratificações, que compõem parte considerável da remuneração em algumas carreiras, também terão acréscimo de 9% nos dois anos.
No caso dos militares, o projeto prevê um reajuste maior, de 18% já em 2025, como forma de compensação pela ausência de atualização salarial em 2023.
Quando o reajuste para servidores públicos começa a ser pago?
O reajuste para servidores públicos federais começou a ser implementado em maio deste ano, com pagamento retroativo a janeiro de 2025.
Isso significa que os valores referentes aos primeiros meses do ano serão depositados de forma acumulada, conforme os percentuais definidos no projeto aprovado pela Câmara dos Deputados.
A aplicação retroativa foi possível mesmo com o atraso na aprovação do Orçamento, uma vez que o reajuste já estava previsto desde a publicação da Medida Provisória 1.286/24, no fim de 2024.
A proposta precisou ser transformada em projeto de lei em regime de urgência, após impasses entre Câmara e Senado sobre a tramitação de MPs.
Agora, para que os pagamentos sigam garantidos nos próximos meses, o Congresso precisa concluir a votação do projeto antes de 2 de junho — data em que a MP perde a validade. O texto segue em análise no Senado.
Reajuste para servidores já está em vigor?
Embora os valores comecem a ser pagos de forma retroativa a partir de maio, o reajuste ainda não entrou oficialmente em vigor.
Isso acontece porque o projeto de lei que trata do aumento salarial para servidores públicos federais ainda está em tramitação no Congresso Nacional.
A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas depende de novas etapas até se tornar efetiva em definitivo.
O pagamento retroativo se baseia no texto da Medida Provisória 1.286/24, publicado no fim de 2024.
Contudo, como houve mudança na forma de tramitação — a MP foi convertida em projeto de lei por conta de impasses entre Câmara e Senado —, a validade do reajuste depende agora da conclusão do processo legislativo.
Caminho legislativo até a sanção
Para que o reajuste tenha validade legal e definitiva, as seguintes etapas ainda precisam ser cumpridas:
- Aprovação no Senado Federal: O texto já aprovado pela Câmara será analisado pelos senadores. Podem ser feitas alterações, o que exigiria nova análise pelos deputados.
- Sanção presidencial: Após a aprovação nas duas casas, o projeto segue para a Presidência da República, que pode sancionar ou vetar total ou parcialmente.
- Publicação no Diário Oficial da União: Com a sanção, a lei é oficialmente publicada e passa a vigorar.
O trâmite precisa ser concluído até o dia 2 de junho de 2025. Caso contrário, a medida perde a validade, o que pode comprometer os reajustes em curso.
Reforma administrativa também foi aprovada?
Apesar do avanço no reajuste salarial, a reforma administrativa completa ainda não foi aprovada. Para lidar com a resistência de diversas categorias e a falta de consenso, a Câmara optou por deixar parte das mudanças estruturais para um debate posterior.
A decisão foi separar os pontos diretamente relacionados às reestruturações de carreira e incluir apenas as propostas previstas originalmente no texto. As alterações sugeridas durante a tramitação foram deixadas para um grupo de trabalho específico.
Cerca de 60 emendas foram rejeitadas, mas uma delas, aprovada, impediu a entrada de 27 carreiras no Sistema de Desenvolvimento da Carreira (Sidec), que estabelece critérios unificados para progressão por desempenho.
O entendimento é que a discussão sobre esse modelo deve ser aprofundada no contexto da reforma administrativa.
O que será discutido na reforma administrativa?
Um grupo de trabalho com representantes de todos os partidos terá até 45 dias para apresentar uma nova proposta. Entre os pontos que serão discutidos estão:
Progressão funcional
- Refere-se à evolução do servidor dentro da carreira, geralmente por tempo de serviço, desempenho ou qualificação.
- O objetivo é definir critérios mais claros e eficientes para que o servidor avance de nível ou classe, com ganhos salariais ou novas responsabilidades.
- A proposta deve discutir formas de tornar esse processo mais meritocrático, baseado em resultados concretos, em vez de tempo automático de serviço.
Enquadramento de servidores
- Trata do reposicionamento de servidores antigos dentro de novas estruturas de cargos e salários.
- Isso ocorre quando uma carreira é reestruturada e os profissionais precisam ser adaptados à nova configuração.
- A discussão envolve como preservar direitos adquiridos e, ao mesmo tempo, integrar os servidores ao novo modelo de forma justa.
Mudanças nos nomes dos cargos
- Abrange a padronização e modernização das nomenclaturas funcionais.
- Muitos cargos públicos ainda carregam títulos desatualizados ou pouco claros, o que pode dificultar a compreensão das atribuições.
- A reformulação visa tornar os nomes mais condizentes com as atividades exercidas e facilitar a gestão dos quadros.
Concessão de novos reajustes salariais
- Esse ponto trata da possibilidade de conceder aumentos adicionais para algumas categorias, além dos já previstos no projeto aprovado.
- A análise deve levar em conta demandas específicas de setores que não foram contemplados na proposta original, levando em consideração critérios técnicos e orçamentários.
Criação de carreiras que não estavam no projeto original
- Envolve a inclusão de novos caminhos profissionais no serviço público, voltados para áreas estratégicas que hoje não contam com estrutura adequada.
- A ideia é ampliar a atuação do Estado em setores técnicos, científicos ou administrativos, por meio da formalização de carreiras específicas, com regras próprias de ingresso, progressão e remuneração.
- A expectativa é que essa proposta seja colocada em pauta antes do recesso parlamentar, com foco na modernização e profissionalização da máquina pública, segundo os líderes da Câmara.
O que já foi aprovado?
Embora a reforma administrativa completa tenha sido adiada, o projeto aprovado traz novidades. Entre elas, a criação de duas novas carreiras de nível superior:
Carreira de Desenvolvimento Socioeconômico
- Essa carreira será voltada para áreas técnicas estratégicas da administração pública federal, com foco em políticas públicas que envolvam economia, planejamento, desenvolvimento regional, inovação, sustentabilidade e inclusão social.
- A proposta busca estruturar um corpo técnico qualificado para formular, implementar, acompanhar e avaliar programas e ações voltadas ao crescimento econômico e à redução de desigualdades.
- Os profissionais dessa carreira devem atuar, por exemplo, em ministérios como o da Fazenda, do Planejamento, do Desenvolvimento Social e da Indústria.
Carreira de Desenvolvimento das Políticas de Justiça e Defesa
- Se concentrará em áreas ligadas à segurança institucional, ao sistema de justiça e à defesa do Estado.
- A proposta contempla a criação de cargos voltados para a formulação, execução e monitoramento de políticas públicas nas áreas de justiça, segurança pública, direitos humanos e defesa civil.
- Profissionais desse segmento poderão atuar em órgãos como o Ministério da Justiça, Ministério da Defesa, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e outros que exigem conhecimento técnico e atuação estratégica em temas de soberania, proteção social e ordem pública.
Também haverá transformação de 14.989 cargos vagos em 15.670 novos postos, com a criação de funções técnicas e de analistas — incluindo 6 mil vagas para analistas em educação e 4 mil para técnicos em educação — sem aumento de despesa pública.
Além do reajuste: direitos dos servidores públicos
O reajuste salarial é apenas um dos aspectos da relação entre os servidores públicos e a administração pública. Além da remuneração, existem garantias previstas por lei que estruturam a carreira e asseguram condições de trabalho.
Veja abaixo alguns dos principais direitos dos servidores públicos federais:
- Estabilidade no cargo: após três anos de estágio probatório, o servidor efetivo adquire estabilidade, o que significa que só pode ser desligado após processo administrativo disciplinar com ampla defesa.
- Licenças e afastamentos: direito a licenças por motivo de saúde, maternidade, paternidade, capacitação, entre outras previstas em lei.
- Progressão e promoção na carreira: avanço na estrutura da carreira por tempo de serviço e/ou por avaliação de desempenho, conforme regulamento específico da categoria.
- Jornada de trabalho regulada: a carga horária semanal é estabelecida por lei e respeita limites de acordo com a função desempenhada.
- Aposentadoria especial: em algumas categorias, como policiais e professores, há regras diferenciadas para aposentadoria, com base em critérios como tempo de contribuição e risco da atividade.
- Adicionais e gratificações: pagamentos complementares que podem ser vinculados à qualificação, desempenho, localidade, periculosidade ou outras condições específicas da função.
- Direito à sindicalização e greve: garantias constitucionais que permitem organização coletiva e mobilização por melhores condições de trabalho.
Esses direitos são estruturados por leis específicas e variam conforme o cargo e o órgão de lotação. Por isso, é sempre recomendável consultar a legislação vigente e os regulamentos internos de cada instituição pública.
FAQ
O que foi aprovado pela Câmara dos Deputados?
A Câmara aprovou um projeto de lei que concede reajuste salarial a servidores públicos federais. A proposta, aprovada com ampla maioria, ainda depende de análise do Senado e sanção presidencial.
Quem será beneficiado com o reajuste?
O aumento vale para servidores públicos federais, incluindo auditores da Receita Federal, policiais federais e rodoviários, servidores do INSS, Ibama, universidades federais, Banco Central, entre outros vinculados ao Poder Executivo da União.
Servidores estaduais e municipais também terão reajuste?
Não. O reajuste aprovado é exclusivo para servidores federais. Estados e municípios seguem regras próprias e precisam aprovar aumentos em suas respectivas esferas legislativas.
Qual é o percentual de aumento previsto?
Para servidores sem acordo específico, o reajuste será de 9% em 2025 e mais 9% em 2026. Já os ocupantes de cargos comissionados terão aumento escalonado, que pode chegar a 30%, conforme o nível hierárquico. Militares terão reajuste de 18% já em 2025.
O reajuste já começou a ser pago?
Sim. Os pagamentos começaram em maio, com efeito retroativo a janeiro de 2025, mesmo antes da conclusão do trâmite legislativo.
Por que o pagamento começou antes da aprovação final?
A base legal para o pagamento é a Medida Provisória 1.286/24, publicada no fim de 2024. Embora o texto tenha sido transformado em projeto de lei, os pagamentos foram iniciados devido à previsão orçamentária já existente.
O reajuste já está em vigor oficialmente?
Ainda não. Apesar dos pagamentos, o reajuste só se torna definitivo após aprovação no Senado, sanção presidencial e publicação no Diário Oficial.
O que acontece se o projeto não for aprovado até 2 de junho?
Se o Congresso não concluir a votação até essa data, a medida perde a validade. Isso pode comprometer os reajustes já iniciados, exigindo novo trâmite legal.
A reforma administrativa foi aprovada junto com o reajuste?
Não. Parte das mudanças estruturais nas carreiras foi retirada do texto principal e será discutida separadamente por um grupo de trabalho específico.

